Das roupas que perdi


Qualquer guru de auto ajuda me daria uma bronca por este texto. Consigo ver a figura de roupas claras, barba comprida e expressão serena me dizendo palavras sobre desapego, deixar ir, mandar para o universo. Mas a verdade é que sinto uma falta danada das roupas que perdi.
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Canto da Sereia


O bar mais triste do mundo é o Canto da Sereia. Numa praia muito triste do sul da Bahia, a meio caminho de nada e lugar algum, escora-se um barracão de madeira com quatro grandes janelas retangulares. Na frente tem uma varanda coberta com piso de cimento. Sempre há um cachorro por perto, que ninguém nunca alimenta. Continuar lendo

Lembranças salgadas


-Enroladinho de salsicha, croquete de carne, pizza folhada de bauru, empada de bacalhau, torta de frango, coxinha com catupiry, mini torta de peito de peru, quiche de espinafre e bolinho de queijo.
-Empada de palmito, você disse?
-Empada de… empada de bacalhau, palmito acabou.

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Barbeiro


O saudosismo e a nostalgia são armas que encontramos pra nos defender do que é novo e nos assusta. Nos agarramos com força a eles, em busca de uma zona de conforto na qual tudo é familiar. É reconfortante entrar numa delas. Aconteceu comigo outro dia: fui ao barbeiro.

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Groselha com leite


Nunca entendi porque duas Brasílias. Mas o Vô Osvaldo tinha duas Brasílias. Uma bege, a outra devia ser branca. A garagem da casa da Coronel Silvério era coberta por umas telhas cujo nome eu não lembro, mas que eram o orgulho da Vó Maria. As duas Brasílias ficavam lado a lado, entre samambaias em vasos pendurados nas vigas de madeira da cobertura. Mas era ruim de jogar futebol lá – o portão era baixo, e cada vez que a bola ia pra rua, era um desassossego.

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