O dilema da barata


-Então você tá me dizendo que a sua felicidade depende da morte deste inseto?
Valter soltou a frase não só pra confirmar o que já esperava, mas também pra ver se assim, dita em voz alta, a informação fazia mais sentido pra ele. Não fazia, mas Cristina foi taxativa:
-É um jeito um pouco simplista de ver a situação, mas nem por isso incorreto. Eu quero essa barata morta. Agora.
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Lanchonete meia-boca


A regra número um da lanchonete meia-boca é que homem nenhum jamais vai conseguir abrir um sachê de ketchup na primeira tentativa. Isso garante que ele sempre vai levar uma mulher junto pra não passar carão, obviamente duplicando a despesa. Aliás, pra acompanhar em lanchonete meia-boca tem que ser no mínimo namorada. Depois explico o porquê.

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Encontros improváveis por motivos óbvios


“Se vendesse coragem, eu comprava só a coragem”, disse o velho. “Como não vende, me vê aí uma cachaça”, pediu ao Neco, dono do bar onde eu almoçava um contra filé à parmegiana bem razoável. Tinha a nítida atitude de quem procura alguém pra conversar. Me olhou de cima a baixo, e concluiu que servia.

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Obrigação de macho


-Então você tá me dizendo que a sua felicidade depende da morte deste inseto?
Valter soltou a frase não só pra confirmar o que já esperava, mas também pra ver se assim, dita em voz alta, a informação fazia mais sentido pra ele. Não fazia, mas Cristina foi taxativa:
-É um jeito um pouco simplista de ver a situação, mas nem por isso incorreto. Eu quero essa barata morta. Agora.

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Chocolate



No caixa da loja de conveniência, Alê esperava ansioso. Saíra no meio da chuva pra
comprar um chocolate, e agora imaginava feliz o momento em que mataria a vontade que o incomodava há uma semana. Chove torrencialmente no domingo à noite. Fernanda espera no carro. Ele gesticula, tentando dizer algo, e ela tenta decifrar através da enxurrada que escorre pelo para-brisa. Com uma barra grande de chocolate na mão, Alê articula as palavras mexendo a boca de forma exagerada, sem emitir som. Mesmo assim, ela abaixa o volume do rádio.

A mulher que odiava o Papão da Curuzú


Não acredito que ela me convenceu a vir. Cá estou eu, em frente a uma quase-amiga que não via há anos. Ela me resgatou em alguma rede social, e disse que precisava muito me ver pessoalmente. Garantiu que isto não era “um encontro”. Nos encontramos num bar perto da Paulista. Aquele parecia um assunto pra três cervejas. Pedi a primeira delas e a bebi quase sozinho: ela mal tocou no copo. Ela fala mais que a boca.

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