Das roupas que perdi


Qualquer guru de auto ajuda me daria uma bronca por este texto. Consigo ver a figura de roupas claras, barba comprida e expressão serena me dizendo palavras sobre desapego, deixar ir, mandar para o universo. Mas a verdade é que sinto uma falta danada das roupas que perdi.
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Desafios gastronômicos


Olhei o prato fumegante na minha frente. Tenras fatias de bife de fígado, rodelas de cebola coradas na gordura da carne e pedaços suculentos de jiló. Sogro e cunhado me encaravam, ansiosos. Tinha mais platéia: ao meio dia de um sábado, o Mercado Municipal de Belo Horizonte é mais lotado do que show da Rita Cadillac na cadeia. Continuar lendo

Encontros improváveis por motivos óbvios


“Se vendesse coragem, eu comprava só a coragem”, disse o velho. “Como não vende, me vê aí uma cachaça”, pediu ao Neco, dono do bar onde eu almoçava um contra filé à parmegiana bem razoável. Tinha a nítida atitude de quem procura alguém pra conversar. Me olhou de cima a baixo, e concluiu que servia.

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Lembranças salgadas


-Enroladinho de salsicha, croquete de carne, pizza folhada de bauru, empada de bacalhau, torta de frango, coxinha com catupiry, mini torta de peito de peru, quiche de espinafre e bolinho de queijo.
-Empada de palmito, você disse?
-Empada de… empada de bacalhau, palmito acabou.

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Faxina


Gastou o fim de semana inteiro nisso. Começou pelas roupas. Lavou as brancas e as coloridas, separadas. Esfregou punhos, golas e embaixo das axilas. Tirou manchas. Depois secou tudo na maquina. Pregou botões. Lavou a louça. Areou panelas. Limpou a pia e lavou o chão da cozinha. Limpou e desocupou os armários. Esvaziou a geladeira, jogou fora o que estava passado. Botou numa caixa o que era perecível. Desmontou o computador. Enrolou cabos, empacotou teclado, mouse, câmera e fone de ouvido.

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