A mulher que odiava o Papão da Curuzú


Não acredito que ela me convenceu a vir. Cá estou eu, em frente a uma quase-amiga que não via há anos. Ela me resgatou em alguma rede social, e disse que precisava muito me ver pessoalmente. Garantiu que isto não era “um encontro”. Nos encontramos num bar perto da Paulista. Aquele parecia um assunto pra três cervejas. Pedi a primeira delas e a bebi quase sozinho: ela mal tocou no copo. Ela fala mais que a boca.

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Copos limpos


Marcos saiu do quarto em silêncio e passou pelo corredor sem acender a luz, pra não ouvir um grunhido de reclamação – qualquer ruído a acordava, e ela ficava furiosa. Mas esbarrou numa cadeira e ouviu assim mesmo. Ele suspirou fundo e saiu arrastando os chinelos pelo chão de tacos do apartamento, só de pirraça.

Foi até a cozinha, beber um copo d’agua, fazer um sanduíche e decidir se o casamento ainda tinha jeito.

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