Desafios gastronômicos


Olhei o prato fumegante na minha frente. Tenras fatias de bife de fígado, rodelas de cebola coradas na gordura da carne e pedaços suculentos de jiló. Sogro e cunhado me encaravam, ansiosos. Tinha mais platéia: ao meio dia de um sábado, o Mercado Municipal de Belo Horizonte é mais lotado do que show da Rita Cadillac na cadeia. Continuar lendo

Encontros improváveis por motivos óbvios


“Se vendesse coragem, eu comprava só a coragem”, disse o velho. “Como não vende, me vê aí uma cachaça”, pediu ao Neco, dono do bar onde eu almoçava um contra filé à parmegiana bem razoável. Tinha a nítida atitude de quem procura alguém pra conversar. Me olhou de cima a baixo, e concluiu que servia.

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Vinte e um anos


Ouço com atenção o que diz o rapaz sentado à minha frente. O bar em que estamos tem o péssimo hábito de deixar as garrafas vazias de cerveja em cima da mesa, como troféus ou lembretes. Tomei as primeiras duas junto com ele – é preciso criar intimidade e segurança, nestas situações. Agora bebo água com gás – é preciso manter-se no controle, nestas situações. Desvio dos cascos de vidro escuro pra olhar em seus olhos, ler suas palavras antes mesmo que as diga.

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Aniversário


Uma das boas coisas que nos trazem os amigos são outros amigos. Se um sujeito me escolheu para seu amigo, posso sem modéstia presumir que tem bom gosto para amigos; portanto, não é de se estranhar que alguns amigos de nossos amigos tornem-se nossos também.

Esse caminho de redundâncias me levou, numa terça feira à noite, à casa do João. Outrora amigo do amigo, ele agora perdeu o aposto e é só amigo.
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Barbeiro


O saudosismo e a nostalgia são armas que encontramos pra nos defender do que é novo e nos assusta. Nos agarramos com força a eles, em busca de uma zona de conforto na qual tudo é familiar. É reconfortante entrar numa delas. Aconteceu comigo outro dia: fui ao barbeiro.

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