Correntes quebradas


É um alivio quando você ouve que um amigo querido libertou-se de um cativeiro afetivo. Chateia ver gente bacana acorrentada a relacionamentos em ruínas. Chutar o balde requer coragem, mas costuma valer a pena.

Quando o recém-alforriado te dá a notícia, a comemoração tem que ser meio contida – sempre há o risco de o cara reatar, e aí quem criticou o relacionamento fica com cara de tacho. Acontece bastante. O cidadão vai levar umas palavras de incentivo e conforto (“Aquela vaca não te merecia mesmo”, “Ainda bem que você se livrou daquele traste), e uma semana depois dá de cara com o amigo (ou amiga) e a referida vaca (ou traste) num bar qualquer. “Voltamos”, diz o cara, sorridente, enquanto se acomodam na sua mesa.

Mas passado o tempo de consolidação do término, não há como não ficar feliz ao ver alguém se recuperando de uma estada no inferno amoroso. Os casos são muitos: há a amiga bonitona que, mesmo recém chegada aos trinta, parece meio desesperada e só se mete em roubada (“Conheci um cara lindo, carinhoso e interessante. Só não se divorciou ainda por causa dos filhos, mas assim que sair a papelada vamos morar juntos”). O amigo que arrasta o casamento há anos por não ter coragem de botar as cartas na mesa. A aluna que tem certeza de que nunca vai gostar de alguém como do ex-namorado, que a trocou por outra do segundo colegial.

Você ouve esses casos e, se tiver juízo, fica quieto. Porque se a moça tão viajada e culta ainda se mete com homem casado, não vai ser conselho de amigo que vai fazê-la parar. Se o cara não consegue ser sincero com a esposa (e com ele mesmo), não se pode fazer isso por ele. Liberdade só é legitima quando conquistada. E, definitivamente, ao terminar o primeiro namoro adolescente você tem certeza de que jamais terá amor verdadeiro.

É verdade que os recém libertos terão de vencer a preguiça de “ir à luta” novamente. Muita gente volta com o ex só de pensar em encarar todo o processo de conhecer alguém – batalha que requer energia…

E aos poucos, o cara ressurge: volta pra academia, atualiza a agenda, reencontra os amigos. E com um pouco de sorte, também a si mesmo. Bem vindos de volta– não ao mundo dos solteiros, mas ao mundo dos livres.

 

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